ENTREVISTA À UNIP

 
Outra entrevista, desta vez para  Vera Sousa da UNIP .
 
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EVENTO DE SUCESSO

 

A cultura pop japonesa, mais especificamente os eventos que reúnem fãs de mangás e animes, está cada vez mais ocupando o espaço no cotidiano de muita gente interessada no assunto. Em um evento desta natureza é possível encontrar diversas “tribos”, cada uma com suas características, os exemplos mais comuns são os Otakus (aqui no ocidente a palavra é utilizada como uma “gíria” para rotular fãs de animês e mangás em geral, em uma clara mudança de sentido em relação ao idioma de origem do termo)

 

Dentro deste universo, com o passar do tempo, surgiram diferentes "grupos" de otaku que se identificam de acordo com seus interesses em comum, exemplos:

 

  • anime otaku (interesse por animação japonesa)
  • manga otaku (intreresse por histórias em quadrinhos)
  • pasokon otaku (interesse por computadores)
  • gēmu otaku (interesse por videogames)
  • tetsudō otaku (interesse por miniaturas, brinquedos)
  • gunji otaku (interesse por armas e coisas militares)
  • auto otaku ou jidosha otaku (interesses por carros)

Há ainda os Cosplayers (abreviação de "costume player", fantasia em inglês, o cosplayer se caracteriza como um personagem de algum livro, mangá, jogo ou filme que queira homenagear, representa a personalidade deste e em alguns eventos pode até mesmo competir com outros cosplayers em concursos, embora o grande barato e diversão sejam a exposição e o contato social gerado dentro do ambiente, mas um dos principais objetivos deste “Hobby” é fazer amigos.)

Os principais objetivos de eventos desta natureza é reunir não só os fãs da cultura pop japonesa, mas também difundir esta forma de entretenimento/ lazer e mostrar, aos que queiram saber um pouco mais sobre o gênero, o quão rico este universo pode ser e nesta linha de pensamento o assunto tem ganhado fãs bem importantes em toda parte do mundo, gente que de uma forma ou de outra ”beberam água desta fonte” (Madonna, a grife Cavalera, a banda Daft Punk, os Linkin Park…..)

Geralmente estes eventos costumam durar o dia inteiro e acontecem no mínimo em dois dias com sua programação voltada ao entretenimento, shows, concursos, stands, praça de alimentação, salas temáticas, workshops, pump, animekês, bandas e as mais diversas atrações.  

 

Nesta área uma das grandes promessas é o Gestor de Eventos Ivo Brasil, (46 anos), aluno da Universidade Anhembi Morumbi em Tecnologia e Gestão de Eventos (graduação prevista, junho 2009), ator há mais de 10 anos, embora não atue atualmente, amante da arte carnavalesca, artesão, possui ateliê próprio, e agora aspirante a escritor (o convite, para escrever, veio da Coordenação do curso de Eventos da Anhembi Morumbi – Vila Olímpia que resolveu convidar dois alunos para participarem do projeto de elaboração de um livro voltado para área de eventos e ele foi um desses alunos. Em fase de produção o livro Eventos: vida social e corporativa, editora LCTE, em co-autoria com professores da Anhembi Morumbi – VO (ainda não tem data confirmada de lançamento, mas já está sendo esperado com grande expectativa, pois traz ao mercado um excelente instrumento de pesquisa para os profissionais da área de eventos).

 

Em outubro de 2008 Ivo Brasil foi convidado para integrar a equipe que iria promover em Mogi das Cruzes, cidade próxima de São Paulo, a 1ª edição do Animogi, evento focado na cultura japonesa de animes e mangás. O convite partiu da OSCIP Ame Brasil e do Regis Cursino, então Coordenador do Evento (o evento aconteceu nos dias 14 e 15 de março de 2009 no Colégio Liceu Brás Cubas, Rua Capitão Manoel Caetano, 266 – Centro – Mogi das Cruzes – SP) 

 

Em uma das poucas folgas da correria geral, Ivo nos concedeu uma entrevista onde falou um pouco a respeito do evento. 

 

(1)              Fale um pouco do seu trabalho?

Como eu disse fui convidado para fazer parte da nova equipe do AniMogi, um evento que já tinha sido cogitado de ser feito no ano anterior e que acabou não acontecendo por problemas internos, portanto um projeto que já estava mais ou menos formatado e acabei assumindo a Assessoria de Eventos. Na primeira reunião, passando o “briefing” pude notar que algumas coisas precisavam mudar e uma delas era a logomarca, já que estávamos reestruturando o evento nada mais justo que as coisas tomassem um rumo mais profissional, propus então que fosse criada uma nova logomarca e que fosse feita sua defesa para que todos soubessem exatamente o seu significado e propósito, afinal de contas ela seria nosso cartão de visitas, seria a forma como nossa equipe passaria a ver o evento. Foi então que passei a pesquisar e criei a logomarca atual, da qual sou detentor dos direitos e que está sendo usada pelo evento em regime de concessão.

 

Como sou uma pessoa detalhista, acabei por opinar em toda estrutura do evento, mudança de domínio, novo layout do site, concepção de possíveis mascotes, planta baixa do evento (o que define onde cada coisa fica dentro da necessidade e estrutura do espaço, esta fiz pessoalmente e depois passei para aprovação da equipe, que contava também com a Designer Natty Akemi, aluna da Anhembi Morumbi e que foi responsável pela criação das outras artes, e é óbvio que eu meti meu “bedelho” por lá também) o pessoal até que teve uma paciência de Jó com minhas chatices, mas no final deu tudo certo e tenho certeza que todos aprendemos um pouco um com o outro.

 

(1)              Como são elaborados eventos dessa natureza?

Não existe uma “fórmula” para elaboração deste ou daquele evento, mesmo porque, tratando-se de evento nada funciona (risos), calma que explico, quando digo que nada funciona é porque o que é bom para uma tipologia, teoricamente, não é bom para outra, pois cada evento possui suas particularidades e é preciso analisar muito bem estas particularidades, exemplo, conhecer o mercado, quais são os concorrentes, o que este mercado/segmento tem para oferecer ao público de interesse….. e acima de tudo, gostar, e muito,  do que faz, acredito eu que estas sejam algumas dicas importantes a seguir.

 

(3) Quantas pessoas são esperadas no evento e qual o tipo de publico, que costuma prestigiar o evento

Eu particularmente espero umas 50 mil pessoas (risos), brincadeirinha, agora falando sério, 5.000 mil pax (pessoas) é o público esperado para este evento, mas isto não aconteceu, acredito que tivemos uma média de 3.000 pax, o que foi muito positivo, levando em consideração que estamos na primeira edição. O tipo de publico que freqüenta este evento são fãs de animes, mangás e da cultura japonesa em geral, há ainda os curiosos e as pessoas interessadas em pesquisas, neste caso, universitários, aliás, neste último dia de evento tivemos a presença de universitários de quatro universidades em busca de informação sobre a tipologia/particularidades deste segmento e isto é muito positivo e satisfatório, pois mostra que o assunto é interessante e pode gerar excelentes discussões (no bom sentido).

 

(4) Quantos profissionais trabalham num evento como o Animogi?

Se levarmos em consideração o período de pré-evento, evento e pós-evento, teoricamente umas 120 pessoas durante todo o processo e como estamos na primeira edição e não temos patrocínio, tudo feito na raça e na crença de nossas convicções, a maioria deste pessoal trabalhou na base do voluntariado, no meu caso houve um contrato com base em uma determinada porcentagem sobre o valor do evento, contrato de risco. Cheguei a cogitar com a equipe a possibilidade de abrirmos o espaço para os universitários participarem do evento e usarem a experiência como atividade complementar, mas no meio da correria e levando em consideração o período de recesso da rede ensino, a coisa ficou meio de lado, culpa minha, mas vai aí uma dica e sugestão para todos os organizadores de eventos deste ou de outro tipo, a moçada precisa de atividade complementar, vamos ajudar (cursos de interesse, Eventos, Turismo, Hospitalidade, Jornalismo, Publicidade e Propaganda….).     

 

(5) Com quantos dias de antecedência é planejado um evento?

Muitos e muitos e muitos dias, na realidade semanas, meses e alguns casos anos. No nosso caso foram mais ou menos seis meses de planejamento, levantamento de dados, definição de datas, busca de local disponível…… e por ai em diante.

 

(6) Como é divulgado o evento?

Este evento em particular usou muito as redes sociais na internet para se fazer notar, levando em consideração que somos o país número um em acesso a internet, creio que foi uma boa escolha, é óbvio que alguns pontos ficaram frouxos, mas nada é perfeito. Outras formas de divulgar um evento podem ser através de cartazes, banners, faixas, fly, sites, a mídia escrita/ falada de forma geral, dentre outras.

 

(7) Existe um patrocínio para esses eventos?

Patrocínio existe para todo e qualquer tipo de evento, dureza é conseguir este patrocínio.  No nosso caso o que existe, ou melhor, existiu foi o pai (trocínio), no caso a AME Brasil bancou alguns gastos, que foram ressarcidos depois e graças a Deus tivemos o apoio de algumas empresas (ver relação no site http://www.animogi.com). Cheguei a enviar pelo menos uns dez projetos solicitando patrocínio, mas não obtive respostas, uma pena, mas, bola prá frente 2010 está por ai….

 

(8) Quais são as dificuldades de fazer um evento desse gênero como o Animogi?

Muitas. As dificuldades são iguais para todo e qualquer empreendimento, seja ele grande ou pequeno, quem acha que fazer evento é fácil tá muito enganado. A responsabilidade é muito grande, pois a maior preocupação é com a segurança de nosso público e quando falo em segurança não estou me referindo a um “guarda roupa” plantado na entrada, refiro-me ao “bem-estar” (segurança em eventos está relacionada diretamente ao bem-estar do público em geral e o capítulo do livro Eventos: vida social e corporativa, que foi escrito por mim trata exatamente disso).

 

Outra grande dificuldade previsível e importante, que deve ser pensada com antecedência são os contratos do evento, tudo deve ser feito por escrito, nada deve ser combinado “de boca”, isso pode gerar discussões futuras, mas ainda tem gente que insiste em usar o “jeitinho brasileiro” de forma errada.

 

(9) Quais são as vantagens de montar um evento como esse?

Geralmente quando se fala em vantagens, neste caso, pensa-se logo em dinheiro, pois bem, sinto decepcionar os menos desavisados, neste evento não ouve lucro, ele pagou-se, é o que chamamos de PE (ponto de equilíbrio em Administração Contábil), entretanto há outras coisas que podem ser consideradas como “vantagens”, vou citar, como exemplo, o que eu classifiquei como objetivo geral do evento.

 

Ø      divulgar a arte do mangá, gênero da literatura japonesa extremamente popular em seu país de origem (Japão)  e que hoje encontra fãs em toda parte do mundo;

Ø      incentivar a aprendizagem e disseminação cultural da arte anime/mangá;

Ø      reunir fãs de desenho animado de origem japonesa (anime);

Ø      colocar a cidade de Mogi das Cruzes – SP, no calendário oficial dos eventos dessa natureza;

Ø      estimular o turismo de negócio na cidade;

Ø      gerar empregos/renda.

 

Como é possível observar, não existe uma vantagem específica para este ou outro tipo de evento/ público, as vantagens e as desvantagens são muitas. É claro que tem a parte financeira que deve ser compensadora, para permitir que você faça outros eventos, entretanto a alegria e a satisfação de ver o evento pronto e tudo correndo bem, isso não têm preço. Esse evento deu trabalho, pois ele estava desacreditado, quase que cancelado, no entanto ele está acontecendo e como você vê, lotado (bombando, na gíria mais jovem).

Outra grande vantagem de um evento é poder ajudar o próximo de alguma forma, no nosso caso específico temos a responsabilidade social de angariar alimentos não perecíveis para o Fundo de Solidariedade de Mogi das Cruzes, não conseguimos o esperado, mas vamos continuar tentando e o que foi arrecadado com certeza servirá para ajudar muitas pessoas.

 

(10) Quais são as desvantagens do evento?

Não sei se há “desvantagens” específicas, ou pelo menos eu me nego em pensar nas tais “desvantagens”, prefiro analisar os pontos fortes/ positivos e os pontos fracos/ negativos, encontrar soluções, ver quais ações que melhor se aplicam ao problema agir e seguir em frente, mas te confesso, eu ainda fico muito triste/ chateado/ irritado com a falta de profissionalismo de alguns pseudos profissionais, com a inveja, com a divulgação negativa de pessoas que não acreditam e gostam de fazer parte da turma do contra, enfim, coisas negativas, mas apesar dos pesares ainda é possível exercitar o aprendizado sempre e como sou um ser que busca este aprendizado e estou em permanente construção, então vamos em frente.

 

 

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Sobre BLOG CIRCUITO BRASIL

Jornalista, Gestor de Eventos, Presidente da OSC Itaquerendo Folia, Carnavalesco, Perito em Análise de Projetos Culturais (Parecerista).

Publicado em 06/05/2009, em Educação. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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