EVENTOS INTERNACIONAIS

Recentemente tive o prazer de entrevistar um excelente profissional da área de eventos com experiência internacional. Veja na íntegra a entrevista e como sempre digo que sou um ser humano em constante processo de aprendizado acabo de aprender um pouco mais…….

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"Ao recebermos eventos internacionais no Brasil, o trade está se qualificando, se especializando, e estamos nos preparando para os megaeventos esportivos".
Sra. Jeanine Pires  – Presidente da EMBRATUR.

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Em matéria de eventos internacionais o Brasil é o país líder na América Latina e também nas Américas. No continente, fica atrás apenas dos Estados Unidos. Desde 2003, o Brasil subiu 11 posições no ranking da ICCA – naquele ano era o 19º colocado, com 62 eventos e hoje já figura entre os destinos TOP 10 do mundo, figurando na 8ª posição, em 2007, no ranking da ICCA (International Congress and Convention Association), a mais importante entidade mundial do setor.
            Tais dados nos foram apresentados através da “Pesquisa do Impacto Econômico dos Eventos Internacionais no Brasil 2007/2008”, estudo encomendado pelo Ministério do Turismo, por meio da EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo), à FGV (Fundação Getúlio Vargas).
            Diante de tais fatos faz-se necessário o aprimoramento, o aperfeiçoamento e a constante reciclagem de todos os envolvidos nesta área específica, não só para valorizar ou manter a posição, mas também melhorar e quem sabe chegarmos a ficar entre os três melhores desta lista TOP 10.
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O ENTREVISTADO

 

Jorge R. B. Drabczynski
Professor universitário, graduado em educação Física, pós-graduação em Administração Hoteleira, MBA Executivo Internacional de Hotelaria, Turismo e Entretenimento (Boston – USA), profissional da área de eventos desde 1991com passagem pelos Estados Unidos, Europa, China, Dubai, México, Las Vegas. Coordenou lançamentos de carros como Vectra em New Orleans (1992), Corça em Barcelona (1994), S-10 no Arizona (1996), trabalhou na Copa da Alemanha em 2006 e na Copa dos Estados Unidos em 1994.
Contato – jorge@sentire.com.br

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A ENTREVISTA

Por Ivo Brasil

 

1.             Conte-nos um pouco de sua história, como você começou este caminho na área de eventos? Qual sua formação? O que você faz hoje? Quais são seus desafios e objetivos nesta área?

JORGE – Lembro como se fosse hoje, anos 80. Eu sempre tive o sonho de trabalhar na Disney, mas faltava dinheiro para custear este meu sonho, entretanto isto não me esmoreceu, já que eu não tinha o dinheiro para viajar resolvi fazer um curso de Guia Internacional, foi a melhor decisão de minha vida, lá conheci uma pessoa que acabou me indicando para a Stella Barros, (empresa que na época era “a dona” da rota Brasil/ Disney) e foi ai que começou minha carreira e a realização de meu sonho, fiz minha primeira viagem internacional (Disney) em 1992, depois disso não parei mais.
Minha formação deixa ver (pausa). Sou graduado em Educação Física, pós-graduado em Administração Hoteleira e fiz MBA Executivo Internacional de Hotelaria, Turismo e Entretenimento na Fundação Getulio Vargas e Universidade de Babson, Boston, USA. Hoje trabalho com Viagens de Incentivo, Missões Técnicas ao Exterior, Coordenação e/ou Supervisão de diversos Eventos.
Com relação aos meus objetivos posso te dizer que estou concentrado em um só, aumentar meu expertise na área de relações Internacionais, o que não deixa de ser um grande desafio.
 
1.             Quais eventos internacionais você já participou? Valeu a experiência? O que ficou de aprendizado?
JORGECoordenei vários eventos pelo mundo (Feiras, Lançamentos de Produtos, Convenções, Road Shows nos Estados Unidos, Europa, China, Dubai, México) isso a partir de 1992 e teve uma experiência bem marcante que me ensinou muito em todos os sentidos. Foi o lançamento dos carros Prado, Hilux e Fielder em Las Vegas, em 2004. Este evento eu criei, elaborei e coordenei todo o processo, graças a Deus foi um grande sucesso e repercutiu muito bem entre os clientes da Toyota e para os outros envolvidos e tem ainda os lançamentos dos carros da GM nos anos 90 (também foram trabalhos incríveis). Atuei como coordenador operacional e de logística (1992 – Vectra em New Orleans, 1994 – Corça em Barcelona, 1996 – S-10 no Arizona).
No meio de uma conversa e outra, rebatendo informações, tomamos a liberdade de pedir algumas dicas para passar ao pessoal interessado em entrar nesta área, dicas estas que servem e muito para nós também e os dois foram unânimes (quase):
 
¨   Freqüentes eventos seja ele qual for, e se informe de tudo o que poder a respeito da área que lhe interessa;
¨   Visite as empresas que oferecem determinado produto/serviço que desperte seu interesse comercial/profissional, converse com as pessoas, peça opiniões, dicas e mostre interesse em conhecer melhor a empresa e o que ela oferece.
¨   Se ofereça para fazer algum trabalho para a empresa, mesmo sem remuneração – é uma forma de aprendizado e pode lhe abrir muitas portas;
¨   Comece fazendo pequenos eventos, mas se preparando, se estruturando, pesquisando, estudando e se informando sobre eventos maiores, nacionais e internacionais, todo bom profissional geralmente tem começado de baixo, fazendo pequenos eventos, mostrando sua capacidade e competência aos poucos, nada de se afobar;
¨   Conheça pessoas, cultive relacionamentos, amplie-se, trabalhe, dê atenção ao network, esta forma de contato é responsável pela criação de muitas oportunidades.
 
1.             Qual é o nível dos profissionais desta área aqui no Brasil? Há alguma área em que eles deixam a desejar?
JORGE Normalmente, os profissionais que começam a trabalhar nesta área de eventos internacionais são guias de turismo, mas não são completos. Sabem muito bem os tramites do trabalho como guia, como liderar pessoas, mas não tem conhecimento operacional sobre estruturação, entre outras coisas. Falta bagagem.
 
2.             O que você considera como grande desafio, no Brasil, neste segmento de eventos internacionais?
JORGE Troca de experiências/ Material educacional, como livros e projetos, a respeito do assunto, à disposição para consulta/ Falta de cursos próprios, enfim, falta muita coisa.  
 
3.             Quais as principais diferenças entre o profissional interno (Brasil) e o profissional externo (exterior)? E o público?
JORGE O profissional que desenvolve eventos, seja no exterior ou não, deve, além de todo o conhecimento sobre como organizar um evento, ser conhecedor de alguns fatores fundamentais:
1. Idiomas, no mínimo com boa compreensão, afinal de contas, quando se trata de eventos a diversidade é grande até neste setor;
2. Conhecimento sobre a cultura local, como as pessoas se comportam, hábitos de uma forma geral;
3. Saber lidar e gostar de se relacionar com as pessoas, ser gentil, amistoso, eficiência, eficaz, bom negociador, pontual nas decisões e horários. 
 
4.             Para você, o que é um projeto de sucesso e do que um bom profissional precisa para considerar o seu projeto um sucesso?
JORGE Um projeto de sucesso é aquele que ao final, apesar dos contratempos, o cliente diz fica satisfeito com a boa execução apresentada, o elogia e o chama para o próximo evento
5.             Qual o principal ganho para quem participa de um evento internacional seja ele um profissional ou um mero expectador?
JORGE Um evento internacional tem outra dimensão, tudo se torna maior e com mais brilho e alegria, por mais que algo seja feito que as pessoas já vivenciaram, no exterior a proporção é outra e para o profissional que sabe aproveitar as oportunidades, lidar com situações inusitadas, se fazer entender em outro idioma, com diferentes movimentos, timing, pessoas, lugares… é muito rico, não só no âmbito do trabalho, mas no aproveitamento de novas experiências na vida. 
 
6.             Geralmente existe evento que oferece muitas atividades simultâneas e para diversos tipos de público. Como é concentrar e trabalhar esta diversidade num mesmo evento? Você já passou por este tipo de experiência? Se sim como foi e qual a melhor lição tirada disso tudo?
JORGE Já participei e participo de vários desta natureza, é um dos meus expertises, coordenar eventos com muitas ações acontecendo ao mesmo tempo. Tudo deve ser e estar muito organizado (planilhas, roteiros, check lists). A concentração deve ser total. Nada pode passar despercebido, e é bom vocês alunos de ventos começarem a pensar assim, isso se chama desafio. Quanto às experiências/lições, eu diria que na realidade é mais um desafio neste tipo de ação, estar atento a tudo, pensar em tudo, ser extremamente detalhista, mas isso se desenvolve com o tempo e acaba sendo uma condição inerente para quem é organizado. Para quem não o é, paciência, não conseguirá atuar neste tipo de evento. 
 
7.             A questão da infra-estrutura é ponto fundamental na escolha pela cidade e pelo local que irá sediar um evento internacional? Há outras variantes que podem ajudar ou atrapalhar o sucesso do evento neste sentido?
JORGE Sim, é muito importante a infra-estrutura, porém o mais importante é conhecer as pessoas com quem se vai trabalhar e deixar tudo muito claro de como as coisas funcionam no local e uma visita de inspeção muito bem elaborada pode ser o primeiro passo deste sonhado sucesso. Ler os contratos, perguntar e perguntar as dúvidas, deixando-as muito claras e se colocando também com muita clareza sobre o que quer, o que precisa, o que se pretende e principalmente o que vai receber pelo que está pagando/contratando
 
8.             O samba, a caipirinha e o futebol são alguns dos símbolos brasileiros mais conhecidos no exterior. Qual a impressão que você teve disto nas visitas feitas a outros países?
JORGE Infelizmente, ou não, no exterior estes são os símbolos que realmente identificam nosso país. Eu, de maneira solitária e sempre que posso, procura mudar isto, falo sobre outros pontos importantes de nosso país, nossa grandeza, nossas fontes de riquezas, nosso povo hospitaleiro, entre outros aspectos. Procuro esclarecer as pessoas que o Brasil é mais do que samba, futebol e carnaval. 
 
9.             O Brasil tem recebido cada vez mais eventos, congressos, seminários internacionais. Você acha que realmente há uma política diferençada para o receptivo de turistas estrangeiros para esses tipos de eventos?
JORGE Não há. O Brasil precisa se profissionalizar muito no trato com os estrangeiros, principalmente os que vêm para negócios.  Precisa de mais empresas de receptivo com pessoas preparadas, fluentes em vários idiomas e que entendam as culturas das pessoas que vem nos visitar, não basta só mostrar onde são os principais pontos turísticos e churrascarias. Tratando-se de turismo e principalmente de turismo de negócios ainda somos uma criança em fase de evolução/ desenvolvimento. Os estrangeiros estão descobrindo o Brasil, entretanto, nós alem de não estarmos preparados, ainda não fizemos esta descoberta. 
 
10.        Dos grandes eventos internacionais gerados a partir do Brasil ou aqueles que escolhem o Brasil como sede, existe um em específico que chama mais sua atenção? Há um motivo especial para isso?
JORGE Jogos Panamericanos. Com certeza este chamou a atenção não só minha, mas do mundo inteiro, afinal de contas foi o último grande evento de expressão mundial que tivemos aqui no Brasil, (se não me engano). Teve muitos atrasos nas obras, foi super faturado e até hoje as instalações construídas estão abandonadas. Infelizmente faz parte de a nossa cultura pensar apenas quando estiver em cima da hora para realizar.
O Brasil tem atraído muito a atenção de outros países, pelo nosso desenvolvimento econômico, pelas nossas belezas naturais, mas em se tratando de alguns eventos, estamos aquém de um nível de organização satisfatório e isso é péssimo.
 
11.        Não dá para falar de eventos e não falar em turismo e vice-versa, e é sabido que o Ministério do Turismo ganhou recentemente da Organização Mundial do Turismo (OMT) o prêmio Ulysses Awards para o Cadastur. Você acha que essa ferramenta/título pode auxiliar o desenvolvimento e a promoção do turismo nacional e conseqüentemente a produção de mais e mais eventos?
JORGE Teoricamente acredito que sim. Veja a SP-Turis. Uma empresa, que através de ações de desenvolvimento do turismo tem mostrando São Paulo, valorizando seus pontos interessantes e atrativos e tem recebido um número cada vez maior de eventos, mais turistas (mais gasto – deles – aumento das receitas. extensão da estadia das pessoas para mais dias do que usualmente ficariam, tudo isso é ponto positivo. (Lembrando: as ações mais efetivas na área do turismo nacional começaram apenas na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, culminando com o programa de Turismo desenvolvido pelo presidente Lula, portanto ainda somos muito novos, tratando-se de políticas públicas de desenvolvimento do turismo).
 
12.        O Brasil foi citado como referência na promoção de eventos internacionais por outros países durante o XXVI Congresso da Federação de Entidades Organizadoras de Congressos da América Latina, isso pode nos ajudar a melhorar a política de captação de recursos para eventos, de uma forma geral, ou fica tudo na mesma?
JORGE Sim pode nos ajudar desde que os "gaps" sejam corrigidos, com a melhora da capacitação, maior intercâmbio entre profissionais, cursos de desenvolvimento e formação de profissionais específicos, acesso aos materiais didáticos, projetos e referências. 
 
13.        Em um mundo onde a oportunidade de diferenciação para um produto ou serviço é cada vez mais reduzida, como os profissionais desta área de eventos, de uma forma geral, devem agir? Baseada na sua experiência, você pode nos dar algumas dicas a respeito disso?
JORGE A criatividade ainda é uma virtude muito admirada e esperada para quem atua na área de eventos e é primordial neste momento de crise. Ser criativo, se diferenciar do que já existe, esse é um grande desafio. 
 
14.        "Ao recebermos eventos internacionais no Brasil, o trade está se qualificando, se especializando, e estamos nos preparando para os megaeventos esportivos", afirmou a presidente da EMBRATUR, Sra. Jeanine Pires em entrevista recente. Qual sua opinião a respeito disso, por exemplo, estamos preparados para estes grandes eventos esportivos, sendo mais específico, estamos preparados para 2014?
JORGE Claro que não!!!! (risos, o Jorge foi muito “enfático”).
Conversa de político, A Copa do Mundo de 2014 está batendo em nossa porta, o que está sendo feito para isso? Até agora nada. O “trade” está se qualificando, através de qual instrumento? Não existem cursos, formação, trocas de vivências para os que pretendem entrar na área. Como vai ser na hora que abrir as inscrições para os voluntários, que virão de muitas partes do Brasil e do mundo, será que o aspecto idioma vai atrapalhar?
O Panamericanos mostrou nossa fragilidade em aspectos importantes como infra-estrutura, quero só ver como, ou qual será as soluções encontradas para a Copa do Mundo, onde a logística é mais complexa (o mundo todo estará de olho).
Não estamos preparados para organizar uma Olimpíada e nem sei se um dia estaremos. Falta comprometimento, falta seriedade. Os líderes que estão à frente destes eventos, não estão compromissados em fazer um trabalho de excelência e sim nos interesses próprios. Enquanto isso não mudar não seremos um país que tenha credibilidade para organizar grandes eventos……..
Tive o prazer de trabalhar na Copa da Alemanha em 2006 e na Copa dos Estados Unidos em 1994 e com fé em Deus espero trabalhar na Copa de 2014 aqui no Brasil e o tempo vai dizer se estou certo ou não. Material para comparar eu tenho (risos)

 

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Sobre BLOG CIRCUITO BRASIL

Jornalista, Gestor de Eventos, Presidente da OSC Itaquerendo Folia, Carnavalesco, Perito em Análise de Projetos Culturais (Parecerista).

Publicado em 08/05/2009, em Educação. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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